sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

não se perca de mi-im, não se esqueça de mi-im, não desaparê-çá
a chuva tá caindo e, quando a chuva começa,
eu acabo de perder a cabê-çá
não saia do meu lado, segure meu pierrot molhado...

porque é tempo de todo mundo se olhar, se beijar e se molhar de chuva, suor e cerveja, segurando o pierrot molhado que lhe for mais conveniente, claro.

menos pra paula oliveira que, se pra mim o inconveniente foi só de corrigir com um par de códigos algo que escrevi antes da peripécia do caso (vide post abaixo), a pecha de "louca do gilete" pode arrancar toda sua credibilidade de advogada e defenestrar uma carreira respeitável. e não é um caso de mudar de cidade e recomeçar -- a moça virou incidente diplomático.

mas, olha, com toda a implicação psicológica que tem o caso, a carreira talvez tivesse atingido um status menor entre as preocupações da moça do recife que subiu na vida e nos hemisférios.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

fundamentalismo pouco é bobagem aka
meu também, diga-se de passagem

o berlusconi acha que a morte da moça é assunto de governo, por pura influência papal, o joseph nazinger. o bispo aproveitou aquelas aulinhas de estatística do curso de teologia e modificou a seu bel-prazer os dados do holocausto. os governos, tão intrincados que já viraram, agora parecem ter se tornado ainda mais empresariais, com a crise. e a crise agora traz de volta à "moda" a xenofobia -- de gente que não quer que roubem as vagas dos ingleses, de gente que arranca gêmeos no gilete e escrevem siglas na barriga da moça.

te contar, viu... talvez a crise não seja só financeira.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

piada ruim aka
isso explica muita coisa

- por que a bolacha de água e sal não é feita só de água e sal?
- ...
- porque, se fosse, o mar seria uma graaaaaaaande bolacha.

e eu rio copiosamente com essas coisas. por mais que eu não compre revistinhas do ary toledo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

palavras de paulo emílio aka
a pequena burguesia de cada dia nos dai hoje

Minha perspectiva de vida conjugal era simples, serena e saudável. Trabalhar o dia inteiro para aumentar o patrimônio. Uns dois filhos. Aos domingos e feriados, passeios instrutivos. Férias anuais em praias tranqüilas. Mais tarde, quando a guerra acabasse, viagens. Alguma aventura que se oferecesse seria acolhida, algo ocasional, sem perigo de continuidade. Em suma, meus sonhos juvenis de suprema elegância, poder e cultura, tinham se reduzido a um nível bem paulista.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

à sua imagem e semelhança aka
no fundo, todo mundo é o didi de bethânia

a notícia irrelevante é essa, que vem ilustrada assim:

o fato relevante é outro:


fora a montagem malandra, parece que paula lavigne, no meio desse cóóóóração de eterno flerte, adoro ver-te, de repente, com toda a trama da trança a transa do cabelo, virou o caetano veloso, que hoje em dia é um apanhadinho de cabelos grisalhos e uma sucursal da dercy gonçalves.

guardo segredo aka
trago pessoa amada em 48h


o post secret é um negócio muito engraçado: um coletivo -- pode-se até dizer uma alcatéia -- que despeja suas angústias ou safadezas de lá de dentro num cartão postal e manda pra um endereço qualquer em maryland. isso significa mandar suas entranhas selecionadas pro resto do mundo e torcer pra ser publicado numa coletânea de urgências avulsas. hah.

em primeiro lugar, é o resgate de um hábito que ficou lá atrás. só se manda postal hoje em dia pra ostentar a viagem a terras longínquas, e o mimo geralmente chega muito depois do remetente. ok, retrô, às vezes feito à mão, um traço de pessoalidade no mundo grande e insensível, bacana.

em segundo lugar, puro voyeurismo velado. daqueles que gostam de se exibir sem se mostrar demais e daqueles que gostam de saber demais dos outros sem ter que manter algum vínculo, achando que sabe demais do mundo e da vida. e tudo isso em pílulas, com o apoio paratextual da imagem que caga pros direitos autorais. beleza.

em terceiro lugar, uma cadeia de auto-ajuda, como na imagem acima. que mandar embrulhar presentes pra si é um hábito solitário apenas, nenhum grande segredo. e contar isso pra gente que não sabe de nada do seu contexto pra sentir algum acolhimento? come on, seres racionais conseguiriam bem mais que isso.

em quarto e último lugar, uma purgação maravilhosa: você lê, descobre que cerca 80% das pessoas foi estuprada na infância, leva uma vida de merda e fica guardando rancores com cada pequeneza que torna sua vida bem mais leve. e ainda tem umas danadezas salpicadas ali, gente tarada que dá gosto.

é o mundo cão em postais. adoro e endosso:


i regret being more responsible and independent than i should at my age. but i love to make some drama out of it.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

sinal dos tempos aka
inquietação momentânea

será que daqui a quinze anos a gente vai escutar "eu fui até emo quando adolescente" seguido de uma grande risada, como quando as pessoas dizem que já foram góticas/punks/hippies?