outro level aka
accro à pina
dia desses eu combinei com um par de pessoas e fui ao cinema assistir pina, o documentário (?) em 3d dirigido pelo win wenders sobre a tão falada coreógrafa alemã de quem eu conheço tão pouco.
a grande première foi no festival de berlim, fins do último ano, fora da competição oficial. o motivo pra essa exclusão eu vim a descobrir depois: seria covardia, como acontece com as grandes estreias de grandes diretores nos grandes festivais, cheias de grandes expectativas.
covardia porque pina é um filme lindo, à altura da personalidade a quem é dedicado. mostra a sua trupe de dançarinos-atores, com quem ela conviveu por décadas, com quem tinha uma relação que me pareceu bem intensa e, o mais bacana, dos quais ela pegava traços e expunha vivências pra compor seus espetáculos, sempre com delicadeza.
o resultado é deixar qualquer um bobo. a terceira dimensão, usada num filme sem pirotecnia, como é de praxe, dá um brilho novo à coisa toda. seu corpo de baile vai, um de cada vez, dedicando um passo, um fragmento, uma pequena dança.
e isso é tão bem feito que os espectadores saem do filme maravilhados, apaixonados por aquela que inaugurou a dança teatro, sua tanztheater. um conceito de contemporaneidade que pode fácil virar vergonha alheia, mas que, bem feito, são outros quinhentos.
depois disso tudo, me vi obrigado a conferir outro documentário, que felizmente voltou aos cartazes por ocasião do lançamento do filme de wenders. em francês se chama les rêves dansants, sur les pas de pina bausch, o original em alemão é tanzträume.
gravado em 2008, poucos meses antes dela morrer, o documentário registra os meses de trabalho com adolescentes numa montagem jovem de kontakthof, que, salvo engano, também foi montada com velhinhos, como mostra o outro documentário.
esses adolescentes descobrindo a dança, o corpo, a desinibição e muito mais do que eu posso saber é absolutamente lindo de se ver. pina, cigarrinho sempre em punho, tem uma bondade e uma cara de bem vivida, satisfeita, que dá gosto. eu chorei umas três vezes, mas não fui o único. o senhor do meu lado soluçou até onde pude acompanhar. de lavar a alma.
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quarta-feira, 13 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
a farinha e a tainha aka
blablablá de hollywood aka
não se deixe enganar pelas comédias românticas
não sou nenhum crítico nem grande entendedor de cinema, nunca é demais ressaltar. e tava aqui assistindo "la graine e le mulet", que em português ficou "o segredo do grão". gostei da sinceridade do filme, da questão dos árabes, da frança cada vez menos francesa, da tensão do enredo, do retrato familiar e tudo mais. mas duas coisas me chamaram mais a atenção.
primeiro é a naturalidade. cinema, grosso modo, é uma espécie de mímese da realidade cheia de licenças poéticas. e nesse filme -- talvez por não ser um franco-árabe de carteirinha e, por isso, não distinguir as minúcias -- as atuações e o retrato me pareceram bem fluidos, fiéis. e digo isso porque andei vendo alguns brasileiros que poderiam ser bem legais, mas tropeçam justamente nisso. onde já se viu um ator dizendo "isto é uma barbaridade"? o isto fica tão pesado e tão artificial que destrói o filme, assim como a fala muito articulada, muito correta, muito preposicionada. acaba com a verossimilhança do filme. e olha que ela tem uma amplitude bem grandinha, que permite recursos a perder de vista que podem até permitir uma fala correta, se houver contexto que sustente.
outra coisa é o fim. não é nenhuma novidade, os franceses têm esse hábito: o fim deles normalmente não é um fim acabado, arrematadinho. "caché" que o diga. mas o ranço hollywoodiano que sempre quer colocar tudo perfeitinho, correspondendo a todas as expectativas mais românticas dos espectadores mais medianos, deixa o incômodo pairando no ar. eles, os americanos, gostam das coisas assim, delimitadas. eu também gosto. mas o cinema precisa, a meu ver, entreter ou plantar algum questionamento que seja na sua cabeça. ara, eles não conseguem nem acabar com guantánamo e ficam com essa falsa realidade colorida, cheia de fins perfeitos, peripécias calculadas e gente impecavelmente bonita. o resultado são anos de análise pro público e sabe-se lá mais o quê.
porque, ao que tudo indica, a vida é assim: o fim (físico, pelo menos) só chega com a morte. até lá, não adianta querer ficar vivendo de beverly hills.
-
da questão de títulos, saiu essa tira do liniers na folha de ontem:

tem toooodas as setenta e seis palavras da língua portuguesa
blablablá de hollywood aka
não se deixe enganar pelas comédias românticas
não sou nenhum crítico nem grande entendedor de cinema, nunca é demais ressaltar. e tava aqui assistindo "la graine e le mulet", que em português ficou "o segredo do grão". gostei da sinceridade do filme, da questão dos árabes, da frança cada vez menos francesa, da tensão do enredo, do retrato familiar e tudo mais. mas duas coisas me chamaram mais a atenção.
primeiro é a naturalidade. cinema, grosso modo, é uma espécie de mímese da realidade cheia de licenças poéticas. e nesse filme -- talvez por não ser um franco-árabe de carteirinha e, por isso, não distinguir as minúcias -- as atuações e o retrato me pareceram bem fluidos, fiéis. e digo isso porque andei vendo alguns brasileiros que poderiam ser bem legais, mas tropeçam justamente nisso. onde já se viu um ator dizendo "isto é uma barbaridade"? o isto fica tão pesado e tão artificial que destrói o filme, assim como a fala muito articulada, muito correta, muito preposicionada. acaba com a verossimilhança do filme. e olha que ela tem uma amplitude bem grandinha, que permite recursos a perder de vista que podem até permitir uma fala correta, se houver contexto que sustente.
outra coisa é o fim. não é nenhuma novidade, os franceses têm esse hábito: o fim deles normalmente não é um fim acabado, arrematadinho. "caché" que o diga. mas o ranço hollywoodiano que sempre quer colocar tudo perfeitinho, correspondendo a todas as expectativas mais românticas dos espectadores mais medianos, deixa o incômodo pairando no ar. eles, os americanos, gostam das coisas assim, delimitadas. eu também gosto. mas o cinema precisa, a meu ver, entreter ou plantar algum questionamento que seja na sua cabeça. ara, eles não conseguem nem acabar com guantánamo e ficam com essa falsa realidade colorida, cheia de fins perfeitos, peripécias calculadas e gente impecavelmente bonita. o resultado são anos de análise pro público e sabe-se lá mais o quê.
porque, ao que tudo indica, a vida é assim: o fim (físico, pelo menos) só chega com a morte. até lá, não adianta querer ficar vivendo de beverly hills.
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da questão de títulos, saiu essa tira do liniers na folha de ontem:

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