durante este ano estarei despachando aqui. passa lá. (:
sábado, 5 de fevereiro de 2011
domingo, 12 de dezembro de 2010

picuinha akaa rede social
david fincher é bom de filme, o que não é nenhuma novidade. já a história do facebook não valeria um filme e seus protagonistas não mereceriam destaque, não fossem as proporções homéricas -- os milhões de gentes que participam e os bilhões que essas interações virtuais geram.
as personagens do filme são jovens de densidade nula. mark zuckerberg é um moleque meio babaca, obstinado e fã dos chinelos mais feios de que a história tem registro; eduardo saverin é o bobinho de boa-fé que acaba traído, mas que conseguiu retomar seu quinhão; sean parker é o deslumbre que sintetiza o vale do silício, e talvez não pudesse ser representado por outra pessoa que não o astro pop; os gêmeos são tipificados por serem mimados e moldados por dinheiro. por acaso o mesmo dinheiro que move a intriga do filme e, não menos importante, esse tal de mundo real que fica de lado enquanto você "curte" algo on-line.
essa lógica unívoca tem lá suas razões. eles provavelmente não são tão planos assim na realidade, mas a história contada é uma só e nela as pessoas têm posições que podem até mudar, mas que são claras. facilitando o lado do espectador, fica tudo assim, meio pasteurizado e altamente atraente.
em se tratando de cinema e, mais importante, pelas mãos de quem foi feito, o importante é contar a história. por isso são salpicados alguns indícios de que eles não sejam tão rasos assim junto com a criação de alguma empatia por este ou aquele, o que pode ser percebido com certo senso crítico. nada que mude o rumo da história que está escrita e cinematografada.
duas horas de filme depois, o saldo é tétrico. o tal menino mark retoma justamente a picuinha que supostamente teria dado origem a tudo, dedão firme no f5, fechando o círculo com majestade e pateticismo. do lado pessoal, eu estou aqui digitando alguma coisa a respeito nessa mesma internet enquanto chegam notificações dos comentários recebidos nesse tal de livro das caras.
em comum, todo mundo perdendo bastante tempo e alguns (bem poucos) levando bastante (íssimo) dinheiro, tudo baseado nas aparências. mas falar que no facebook todo mundo é feliz é assunto de um outro post, uma nova perda de tempo.
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010
duas coisas breves que viraram três aka
o humanitarismo, a etimologia e o cu
findas as obrigações acadêmicas, ou melhor dizendo, universitárias, estou começando meu breve período de alforria de leitura, mas antes algumas mídias empurradas com a barriga até o momento estão sendo devidamente postas em dia.
daí um par de recomendações:
- expedicionário, na piauí de outubro: o cara é um ortopedista com pegada humanitária, que faz expedições pela amazônia regularmente e deu seu jeito de ir também pro haiti, depois do terremoto do começo deste ano. os detalhes curiosos ficam por conta da linhagem de médicos peculiares na família e por ter sido namorado da maitê proença, com quem viajou para o oriente no auge da juventude.
- o ruy castro fez um texto para a ilustríssima do último domingo enaltecendo a etimologia, esse ramo tão subestimado do estudo da língua, por ocasião do lançamento de um dicionário desse assunto. pra você que está cagando pra isso, leia pelo menos a parte que ele fala de sacanagem, o mais universal dos assuntos:
É verdade que, em muitos casos, a expressão, além de suspeita, é mesmo culpada. Pode-se, por exemplo, afogar o ganso, o grilo, o jegue e o Judas, tudo com o mesmo sentido. No sentido contrário, dependendo da região do Brasil ou de Portugal, pode-se dar a goiaba, a maricotinha, o boga, o chicote, o disco, o fiofó, o frosquete, o furico, o oitão, o oiti, o tareco e, mais universalmente, o rabo.
e já que estamos nos anais do anal, nunca é demais lembrar do vídeo impagável de rodrigo burdman, baseado num conto do marcelino freire e narrado pelo pereio; do bataille; do texto do reinaldo moraes também na ilustríssima, falando sobre a famosa capa do disco "todos os olhos" do tom zé; e, por fim, do soneto de rimbaud e verlaine, eles próprios bastante versados na arte da pederastia, ao que tudo indica. ao soneto:
Soneto ao buraco do cu
Obscuro e enrugado como um cravo roxo,
Ele respira, humildemente escondido em meio ao musgo
Úmido ainda de amor que segue a doce fuga
Das nádegas brancas até o âmago de sua orla.
Filamentos parecidos a lágrimas de leite
Choraram, sob o vento cruel que os repele,
Através dos pequenos coágulos de marga raiva
Para irem se perder onde o declive os chamava.
Meu sonho frequentemente se colou à sua ventosa;
Minh'alma, com ciúmes do coito material,
Dele fez seu lacrimário fulvo e seu ninho e soluços.
É a oliva desfalecida, e a flauta carinhosa;
É o tubo por onde desce a celeste pralina:
Canaã feminino encerrado nas umidades!
tudo isso pra jogar uma luz sobre os recônditos do derrière e "botar o cu na goteira" caso você precise saber de alguma dessas informações que, nunca se sabe, podem ser úteis em algum momento.
o humanitarismo, a etimologia e o cu
findas as obrigações acadêmicas, ou melhor dizendo, universitárias, estou começando meu breve período de alforria de leitura, mas antes algumas mídias empurradas com a barriga até o momento estão sendo devidamente postas em dia.
daí um par de recomendações:
- expedicionário, na piauí de outubro: o cara é um ortopedista com pegada humanitária, que faz expedições pela amazônia regularmente e deu seu jeito de ir também pro haiti, depois do terremoto do começo deste ano. os detalhes curiosos ficam por conta da linhagem de médicos peculiares na família e por ter sido namorado da maitê proença, com quem viajou para o oriente no auge da juventude.
- o ruy castro fez um texto para a ilustríssima do último domingo enaltecendo a etimologia, esse ramo tão subestimado do estudo da língua, por ocasião do lançamento de um dicionário desse assunto. pra você que está cagando pra isso, leia pelo menos a parte que ele fala de sacanagem, o mais universal dos assuntos:
É verdade que, em muitos casos, a expressão, além de suspeita, é mesmo culpada. Pode-se, por exemplo, afogar o ganso, o grilo, o jegue e o Judas, tudo com o mesmo sentido. No sentido contrário, dependendo da região do Brasil ou de Portugal, pode-se dar a goiaba, a maricotinha, o boga, o chicote, o disco, o fiofó, o frosquete, o furico, o oitão, o oiti, o tareco e, mais universalmente, o rabo.
e já que estamos nos anais do anal, nunca é demais lembrar do vídeo impagável de rodrigo burdman, baseado num conto do marcelino freire e narrado pelo pereio; do bataille; do texto do reinaldo moraes também na ilustríssima, falando sobre a famosa capa do disco "todos os olhos" do tom zé; e, por fim, do soneto de rimbaud e verlaine, eles próprios bastante versados na arte da pederastia, ao que tudo indica. ao soneto:
Soneto ao buraco do cu
Obscuro e enrugado como um cravo roxo,
Ele respira, humildemente escondido em meio ao musgo
Úmido ainda de amor que segue a doce fuga
Das nádegas brancas até o âmago de sua orla.
Filamentos parecidos a lágrimas de leite
Choraram, sob o vento cruel que os repele,
Através dos pequenos coágulos de marga raiva
Para irem se perder onde o declive os chamava.
Meu sonho frequentemente se colou à sua ventosa;
Minh'alma, com ciúmes do coito material,
Dele fez seu lacrimário fulvo e seu ninho e soluços.
É a oliva desfalecida, e a flauta carinhosa;
É o tubo por onde desce a celeste pralina:
Canaã feminino encerrado nas umidades!
tudo isso pra jogar uma luz sobre os recônditos do derrière e "botar o cu na goteira" caso você precise saber de alguma dessas informações que, nunca se sabe, podem ser úteis em algum momento.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
tô passando por um momento sem títulos
não dá pra entender essas manifestações "antinordestinos" em são paulo. além do ridículo óbvio, a cidade é composta quase que totalmente por retirantes vindos há mais ou menos tempo de lugares os mais variados, desde o interior do estado até os buracos mais longínquos escondidos no mundo.
e é claro que o lugar onde se nasce/vive imprime uma série de hábitos, gostos, culturas e afins no sujeito, mas daí a estabelecer uma etiqueta maioral que defina todos os oriundos de um determinado local faz de todos nós um aeroporto americano: favor caprichar na hora de revistar aqueles vindos de tal, tal e tal país.
como tem gente babaca no mundo, cruiz.
não dá pra entender essas manifestações "antinordestinos" em são paulo. além do ridículo óbvio, a cidade é composta quase que totalmente por retirantes vindos há mais ou menos tempo de lugares os mais variados, desde o interior do estado até os buracos mais longínquos escondidos no mundo.
e é claro que o lugar onde se nasce/vive imprime uma série de hábitos, gostos, culturas e afins no sujeito, mas daí a estabelecer uma etiqueta maioral que defina todos os oriundos de um determinado local faz de todos nós um aeroporto americano: favor caprichar na hora de revistar aqueles vindos de tal, tal e tal país.
como tem gente babaca no mundo, cruiz.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
as coisas mudam aka
argumento de autoridade
escrevi, escrevi, escrevi e apaguei. mas fica um bob dylan simbólico.
argumento de autoridade
escrevi, escrevi, escrevi e apaguei. mas fica um bob dylan simbólico.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
irmãzinha aka
dedo podre
como é que eu te digo que eu fico meio chateado? não vou mentir que apesar da grandeza disso tudo, a imagem de você zen não consta na minha memória. você espanta as pessoas antes mesmo delas saberem o que é que deixa elas putas da vida.
e, cá entre nós, viver com você é um pesadelo. eles te largaram, é, tudo um bando de babaca.
eu adoraria te ajudar, acreditar em você, mas... te conheço faz tempo. de trás pra frente, de frente pra trás, e até de dentro pra fora, irmãcita.
até o cupido já te acha um caso perdido. é como se você tivesse um raio de um dedo podre que transforma todo mundo em pulador de cerca. não, filhota, isso não tá certo. teus casos têm jeito de prisão. e cá entre nós mais uma vez, te aguentar é uma verdadeira vitória.
(...)
te largaram de novo, né? toma cá um lenço.
-
isso aí em cima é isso aqui. em breve deve sair uma versão de "ne me quitte pas" intitulada "numilarga".
dedo podre
como é que eu te digo que eu fico meio chateado? não vou mentir que apesar da grandeza disso tudo, a imagem de você zen não consta na minha memória. você espanta as pessoas antes mesmo delas saberem o que é que deixa elas putas da vida.
e, cá entre nós, viver com você é um pesadelo. eles te largaram, é, tudo um bando de babaca.
eu adoraria te ajudar, acreditar em você, mas... te conheço faz tempo. de trás pra frente, de frente pra trás, e até de dentro pra fora, irmãcita.
até o cupido já te acha um caso perdido. é como se você tivesse um raio de um dedo podre que transforma todo mundo em pulador de cerca. não, filhota, isso não tá certo. teus casos têm jeito de prisão. e cá entre nós mais uma vez, te aguentar é uma verdadeira vitória.
(...)
te largaram de novo, né? toma cá um lenço.
-
isso aí em cima é isso aqui. em breve deve sair uma versão de "ne me quitte pas" intitulada "numilarga".
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
bonjour aka
gentilezas
muito embora no final do ano eu me torne um diplomado em francês, não sei muito bem a aplicação disso na minha vida. não estou questionando a validade da formação, só o aspecto prático mesmo. e sem maiores deslumbres: tenho plena consciência de que foi uma escolha meio impulsiva, de valores intrincados voltados ao glamour e status, características plantadas pelo eurocentrismo aliado uma cultura dominante de homens meio boiolas e mulheres elegantérrimas.
um "pequeno" detalhe é que tudo isso se apoia basicamente em preceitos muito antigos. meu avô achar lindo falar francês, vá lá; o fato de eu, duas ou três gerações depois, continuar com essa mesma mentalidade é que é esquisito, anacrônico, à toa, desnecessário, chame como quiser.
daí fico eu com esse je-ne-sais-quoi, também conhecido como "batata quente", em mãos. mas sem dramas, estou ciente de que foi tudo muito bacana de um jeito ou de outro, agora é aproveitar o gole de tempo que vai estar disponível e descobrir o que fazer com ele, usando o tal do diploma ou não.
acontece que há pouco eu estava chegando em casa, na hora do rush matinal dos elevadores. chegado ao térreo, puxei a porta com cuidado, pra não irritar a pessoa que estivesse lá dentro com um conflito de forças braçais desiguais sobre o mesmo objeto cuja responsabilidadde seria inteiramente minha. e me deparei com uma senhorinha saindo da mesma caixa suspensa que eu tomaria pra chegar em casa.
ela, ao mesmo tempo lépida e contida em seu ritmo como convém a uma velhice bem resolvida, sorriu todos os dentes disponíveis (e, originais de fábrica ou pastiche, ela tem todas as canjicas, pelo que pude conferir). eu, seguindo os preceitos de uma certa cordialidade semiautomática, sorri de volta e disse "bom dia".
a velhinha, rasgando ainda mais o sorriso, inclinou a cabeça, como que contente pela gentileza. e me devolveu a mesma expressão, num sinal de que, dependesse de nós, o mundo teria um jazz suave de plano de fundo, calmo como ela conseguiu finalmente ser na segunda metade do seu segundo tempo de vida.
e bingo. falar com biquinho, fazer frescura, ser pedante, seduzir as pessoas, ser mais pedante ainda lendo no original... tudo isso é verdade. tal e qual o mauhumor e a educação excessiva dos pardon e bonjour que eles usam a torto e a direito -- ou, como eles diriam, à tort et à travers. enfim, os rabugentos incutiram em mim alguma gentileza.
gentilezas
muito embora no final do ano eu me torne um diplomado em francês, não sei muito bem a aplicação disso na minha vida. não estou questionando a validade da formação, só o aspecto prático mesmo. e sem maiores deslumbres: tenho plena consciência de que foi uma escolha meio impulsiva, de valores intrincados voltados ao glamour e status, características plantadas pelo eurocentrismo aliado uma cultura dominante de homens meio boiolas e mulheres elegantérrimas.
um "pequeno" detalhe é que tudo isso se apoia basicamente em preceitos muito antigos. meu avô achar lindo falar francês, vá lá; o fato de eu, duas ou três gerações depois, continuar com essa mesma mentalidade é que é esquisito, anacrônico, à toa, desnecessário, chame como quiser.
daí fico eu com esse je-ne-sais-quoi, também conhecido como "batata quente", em mãos. mas sem dramas, estou ciente de que foi tudo muito bacana de um jeito ou de outro, agora é aproveitar o gole de tempo que vai estar disponível e descobrir o que fazer com ele, usando o tal do diploma ou não.
acontece que há pouco eu estava chegando em casa, na hora do rush matinal dos elevadores. chegado ao térreo, puxei a porta com cuidado, pra não irritar a pessoa que estivesse lá dentro com um conflito de forças braçais desiguais sobre o mesmo objeto cuja responsabilidadde seria inteiramente minha. e me deparei com uma senhorinha saindo da mesma caixa suspensa que eu tomaria pra chegar em casa.
ela, ao mesmo tempo lépida e contida em seu ritmo como convém a uma velhice bem resolvida, sorriu todos os dentes disponíveis (e, originais de fábrica ou pastiche, ela tem todas as canjicas, pelo que pude conferir). eu, seguindo os preceitos de uma certa cordialidade semiautomática, sorri de volta e disse "bom dia".
a velhinha, rasgando ainda mais o sorriso, inclinou a cabeça, como que contente pela gentileza. e me devolveu a mesma expressão, num sinal de que, dependesse de nós, o mundo teria um jazz suave de plano de fundo, calmo como ela conseguiu finalmente ser na segunda metade do seu segundo tempo de vida.
e bingo. falar com biquinho, fazer frescura, ser pedante, seduzir as pessoas, ser mais pedante ainda lendo no original... tudo isso é verdade. tal e qual o mauhumor e a educação excessiva dos pardon e bonjour que eles usam a torto e a direito -- ou, como eles diriam, à tort et à travers. enfim, os rabugentos incutiram em mim alguma gentileza.
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