com a palavra, o pianista austríaco aka
a eterna ignorância
je n'ai jamais aimé les livres. chaque fois qu'on les ouvre, on s'attend à quelque révélation surprenante, mais chaque fois qu'on les ferme, on se sent plus découragé. d'ailleurs, il faudrait tout lire, et la vie n'y suffirait pas. mais les livres ne contiennent pas la vie; il n'en contiennent que la cendre; c'est là, je suppose, ce qu'on nomme l'expérience humaine.
ou, em (quase) bom português:
eu nunca gostei dos livros. a cada vez que os abrimos, esperamos por alguma revelação surpreendente, mas a cada vez que os fechamos, nos sentimos um pouco mais desencorajados. além disso, seria necessário ler tudo, e uma vida não bastaria para tanto. mas os livros não contêm a vida; eles contêm apenas suas cinzas; e é isso, imagino eu, o que chamamos de experiência humana.
marguerite yourcenar, "alexis ou le traité du vain combat", p. 41 (folio)
segunda-feira, 16 de maio de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
outro level aka
accro à pina
dia desses eu combinei com um par de pessoas e fui ao cinema assistir pina, o documentário (?) em 3d dirigido pelo win wenders sobre a tão falada coreógrafa alemã de quem eu conheço tão pouco.
a grande première foi no festival de berlim, fins do último ano, fora da competição oficial. o motivo pra essa exclusão eu vim a descobrir depois: seria covardia, como acontece com as grandes estreias de grandes diretores nos grandes festivais, cheias de grandes expectativas.
covardia porque pina é um filme lindo, à altura da personalidade a quem é dedicado. mostra a sua trupe de dançarinos-atores, com quem ela conviveu por décadas, com quem tinha uma relação que me pareceu bem intensa e, o mais bacana, dos quais ela pegava traços e expunha vivências pra compor seus espetáculos, sempre com delicadeza.
o resultado é deixar qualquer um bobo. a terceira dimensão, usada num filme sem pirotecnia, como é de praxe, dá um brilho novo à coisa toda. seu corpo de baile vai, um de cada vez, dedicando um passo, um fragmento, uma pequena dança.
e isso é tão bem feito que os espectadores saem do filme maravilhados, apaixonados por aquela que inaugurou a dança teatro, sua tanztheater. um conceito de contemporaneidade que pode fácil virar vergonha alheia, mas que, bem feito, são outros quinhentos.
depois disso tudo, me vi obrigado a conferir outro documentário, que felizmente voltou aos cartazes por ocasião do lançamento do filme de wenders. em francês se chama les rêves dansants, sur les pas de pina bausch, o original em alemão é tanzträume.
gravado em 2008, poucos meses antes dela morrer, o documentário registra os meses de trabalho com adolescentes numa montagem jovem de kontakthof, que, salvo engano, também foi montada com velhinhos, como mostra o outro documentário.
esses adolescentes descobrindo a dança, o corpo, a desinibição e muito mais do que eu posso saber é absolutamente lindo de se ver. pina, cigarrinho sempre em punho, tem uma bondade e uma cara de bem vivida, satisfeita, que dá gosto. eu chorei umas três vezes, mas não fui o único. o senhor do meu lado soluçou até onde pude acompanhar. de lavar a alma.
accro à pina
dia desses eu combinei com um par de pessoas e fui ao cinema assistir pina, o documentário (?) em 3d dirigido pelo win wenders sobre a tão falada coreógrafa alemã de quem eu conheço tão pouco.
a grande première foi no festival de berlim, fins do último ano, fora da competição oficial. o motivo pra essa exclusão eu vim a descobrir depois: seria covardia, como acontece com as grandes estreias de grandes diretores nos grandes festivais, cheias de grandes expectativas.
covardia porque pina é um filme lindo, à altura da personalidade a quem é dedicado. mostra a sua trupe de dançarinos-atores, com quem ela conviveu por décadas, com quem tinha uma relação que me pareceu bem intensa e, o mais bacana, dos quais ela pegava traços e expunha vivências pra compor seus espetáculos, sempre com delicadeza.
o resultado é deixar qualquer um bobo. a terceira dimensão, usada num filme sem pirotecnia, como é de praxe, dá um brilho novo à coisa toda. seu corpo de baile vai, um de cada vez, dedicando um passo, um fragmento, uma pequena dança.
e isso é tão bem feito que os espectadores saem do filme maravilhados, apaixonados por aquela que inaugurou a dança teatro, sua tanztheater. um conceito de contemporaneidade que pode fácil virar vergonha alheia, mas que, bem feito, são outros quinhentos.
depois disso tudo, me vi obrigado a conferir outro documentário, que felizmente voltou aos cartazes por ocasião do lançamento do filme de wenders. em francês se chama les rêves dansants, sur les pas de pina bausch, o original em alemão é tanzträume.
gravado em 2008, poucos meses antes dela morrer, o documentário registra os meses de trabalho com adolescentes numa montagem jovem de kontakthof, que, salvo engano, também foi montada com velhinhos, como mostra o outro documentário.
esses adolescentes descobrindo a dança, o corpo, a desinibição e muito mais do que eu posso saber é absolutamente lindo de se ver. pina, cigarrinho sempre em punho, tem uma bondade e uma cara de bem vivida, satisfeita, que dá gosto. eu chorei umas três vezes, mas não fui o único. o senhor do meu lado soluçou até onde pude acompanhar. de lavar a alma.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
domingo, 12 de dezembro de 2010

picuinha akaa rede social
david fincher é bom de filme, o que não é nenhuma novidade. já a história do facebook não valeria um filme e seus protagonistas não mereceriam destaque, não fossem as proporções homéricas -- os milhões de gentes que participam e os bilhões que essas interações virtuais geram.
as personagens do filme são jovens de densidade nula. mark zuckerberg é um moleque meio babaca, obstinado e fã dos chinelos mais feios de que a história tem registro; eduardo saverin é o bobinho de boa-fé que acaba traído, mas que conseguiu retomar seu quinhão; sean parker é o deslumbre que sintetiza o vale do silício, e talvez não pudesse ser representado por outra pessoa que não o astro pop; os gêmeos são tipificados por serem mimados e moldados por dinheiro. por acaso o mesmo dinheiro que move a intriga do filme e, não menos importante, esse tal de mundo real que fica de lado enquanto você "curte" algo on-line.
essa lógica unívoca tem lá suas razões. eles provavelmente não são tão planos assim na realidade, mas a história contada é uma só e nela as pessoas têm posições que podem até mudar, mas que são claras. facilitando o lado do espectador, fica tudo assim, meio pasteurizado e altamente atraente.
em se tratando de cinema e, mais importante, pelas mãos de quem foi feito, o importante é contar a história. por isso são salpicados alguns indícios de que eles não sejam tão rasos assim junto com a criação de alguma empatia por este ou aquele, o que pode ser percebido com certo senso crítico. nada que mude o rumo da história que está escrita e cinematografada.
duas horas de filme depois, o saldo é tétrico. o tal menino mark retoma justamente a picuinha que supostamente teria dado origem a tudo, dedão firme no f5, fechando o círculo com majestade e pateticismo. do lado pessoal, eu estou aqui digitando alguma coisa a respeito nessa mesma internet enquanto chegam notificações dos comentários recebidos nesse tal de livro das caras.
em comum, todo mundo perdendo bastante tempo e alguns (bem poucos) levando bastante (íssimo) dinheiro, tudo baseado nas aparências. mas falar que no facebook todo mundo é feliz é assunto de um outro post, uma nova perda de tempo.
Marcadores:
a rede social,
david fincher,
facebook,
picuinha
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
duas coisas breves que viraram três aka
o humanitarismo, a etimologia e o cu
findas as obrigações acadêmicas, ou melhor dizendo, universitárias, estou começando meu breve período de alforria de leitura, mas antes algumas mídias empurradas com a barriga até o momento estão sendo devidamente postas em dia.
daí um par de recomendações:
- expedicionário, na piauí de outubro: o cara é um ortopedista com pegada humanitária, que faz expedições pela amazônia regularmente e deu seu jeito de ir também pro haiti, depois do terremoto do começo deste ano. os detalhes curiosos ficam por conta da linhagem de médicos peculiares na família e por ter sido namorado da maitê proença, com quem viajou para o oriente no auge da juventude.
- o ruy castro fez um texto para a ilustríssima do último domingo enaltecendo a etimologia, esse ramo tão subestimado do estudo da língua, por ocasião do lançamento de um dicionário desse assunto. pra você que está cagando pra isso, leia pelo menos a parte que ele fala de sacanagem, o mais universal dos assuntos:
É verdade que, em muitos casos, a expressão, além de suspeita, é mesmo culpada. Pode-se, por exemplo, afogar o ganso, o grilo, o jegue e o Judas, tudo com o mesmo sentido. No sentido contrário, dependendo da região do Brasil ou de Portugal, pode-se dar a goiaba, a maricotinha, o boga, o chicote, o disco, o fiofó, o frosquete, o furico, o oitão, o oiti, o tareco e, mais universalmente, o rabo.
e já que estamos nos anais do anal, nunca é demais lembrar do vídeo impagável de rodrigo burdman, baseado num conto do marcelino freire e narrado pelo pereio; do bataille; do texto do reinaldo moraes também na ilustríssima, falando sobre a famosa capa do disco "todos os olhos" do tom zé; e, por fim, do soneto de rimbaud e verlaine, eles próprios bastante versados na arte da pederastia, ao que tudo indica. ao soneto:
Soneto ao buraco do cu
Obscuro e enrugado como um cravo roxo,
Ele respira, humildemente escondido em meio ao musgo
Úmido ainda de amor que segue a doce fuga
Das nádegas brancas até o âmago de sua orla.
Filamentos parecidos a lágrimas de leite
Choraram, sob o vento cruel que os repele,
Através dos pequenos coágulos de marga raiva
Para irem se perder onde o declive os chamava.
Meu sonho frequentemente se colou à sua ventosa;
Minh'alma, com ciúmes do coito material,
Dele fez seu lacrimário fulvo e seu ninho e soluços.
É a oliva desfalecida, e a flauta carinhosa;
É o tubo por onde desce a celeste pralina:
Canaã feminino encerrado nas umidades!
tudo isso pra jogar uma luz sobre os recônditos do derrière e "botar o cu na goteira" caso você precise saber de alguma dessas informações que, nunca se sabe, podem ser úteis em algum momento.
o humanitarismo, a etimologia e o cu
findas as obrigações acadêmicas, ou melhor dizendo, universitárias, estou começando meu breve período de alforria de leitura, mas antes algumas mídias empurradas com a barriga até o momento estão sendo devidamente postas em dia.
daí um par de recomendações:
- expedicionário, na piauí de outubro: o cara é um ortopedista com pegada humanitária, que faz expedições pela amazônia regularmente e deu seu jeito de ir também pro haiti, depois do terremoto do começo deste ano. os detalhes curiosos ficam por conta da linhagem de médicos peculiares na família e por ter sido namorado da maitê proença, com quem viajou para o oriente no auge da juventude.
- o ruy castro fez um texto para a ilustríssima do último domingo enaltecendo a etimologia, esse ramo tão subestimado do estudo da língua, por ocasião do lançamento de um dicionário desse assunto. pra você que está cagando pra isso, leia pelo menos a parte que ele fala de sacanagem, o mais universal dos assuntos:
É verdade que, em muitos casos, a expressão, além de suspeita, é mesmo culpada. Pode-se, por exemplo, afogar o ganso, o grilo, o jegue e o Judas, tudo com o mesmo sentido. No sentido contrário, dependendo da região do Brasil ou de Portugal, pode-se dar a goiaba, a maricotinha, o boga, o chicote, o disco, o fiofó, o frosquete, o furico, o oitão, o oiti, o tareco e, mais universalmente, o rabo.
e já que estamos nos anais do anal, nunca é demais lembrar do vídeo impagável de rodrigo burdman, baseado num conto do marcelino freire e narrado pelo pereio; do bataille; do texto do reinaldo moraes também na ilustríssima, falando sobre a famosa capa do disco "todos os olhos" do tom zé; e, por fim, do soneto de rimbaud e verlaine, eles próprios bastante versados na arte da pederastia, ao que tudo indica. ao soneto:
Soneto ao buraco do cu
Obscuro e enrugado como um cravo roxo,
Ele respira, humildemente escondido em meio ao musgo
Úmido ainda de amor que segue a doce fuga
Das nádegas brancas até o âmago de sua orla.
Filamentos parecidos a lágrimas de leite
Choraram, sob o vento cruel que os repele,
Através dos pequenos coágulos de marga raiva
Para irem se perder onde o declive os chamava.
Meu sonho frequentemente se colou à sua ventosa;
Minh'alma, com ciúmes do coito material,
Dele fez seu lacrimário fulvo e seu ninho e soluços.
É a oliva desfalecida, e a flauta carinhosa;
É o tubo por onde desce a celeste pralina:
Canaã feminino encerrado nas umidades!
tudo isso pra jogar uma luz sobre os recônditos do derrière e "botar o cu na goteira" caso você precise saber de alguma dessas informações que, nunca se sabe, podem ser úteis em algum momento.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
tô passando por um momento sem títulos
não dá pra entender essas manifestações "antinordestinos" em são paulo. além do ridículo óbvio, a cidade é composta quase que totalmente por retirantes vindos há mais ou menos tempo de lugares os mais variados, desde o interior do estado até os buracos mais longínquos escondidos no mundo.
e é claro que o lugar onde se nasce/vive imprime uma série de hábitos, gostos, culturas e afins no sujeito, mas daí a estabelecer uma etiqueta maioral que defina todos os oriundos de um determinado local faz de todos nós um aeroporto americano: favor caprichar na hora de revistar aqueles vindos de tal, tal e tal país.
como tem gente babaca no mundo, cruiz.
não dá pra entender essas manifestações "antinordestinos" em são paulo. além do ridículo óbvio, a cidade é composta quase que totalmente por retirantes vindos há mais ou menos tempo de lugares os mais variados, desde o interior do estado até os buracos mais longínquos escondidos no mundo.
e é claro que o lugar onde se nasce/vive imprime uma série de hábitos, gostos, culturas e afins no sujeito, mas daí a estabelecer uma etiqueta maioral que defina todos os oriundos de um determinado local faz de todos nós um aeroporto americano: favor caprichar na hora de revistar aqueles vindos de tal, tal e tal país.
como tem gente babaca no mundo, cruiz.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
as coisas mudam aka
argumento de autoridade
escrevi, escrevi, escrevi e apaguei. mas fica um bob dylan simbólico.
argumento de autoridade
escrevi, escrevi, escrevi e apaguei. mas fica um bob dylan simbólico.
Assinar:
Postagens (Atom)